domingo, 24 de novembro de 2013

A casa [2]


Se pudesse, fazia-te um poema
transparente e frágil.
Se pudesse, fazia-te noites
mais doces onde o lume
das mãos não termina.
Se pudesse, fazia-me de versos
e vestia meu corpo como uma casa.


Joaquim Pessoa, in Ano Comum, 9/nov/2011




[estamos tão somente nos levando de volta para nossas próprias casas -
Ram Dass]

*






* quando as palavras não conseguem abranger um significado, a poesia pode dar conta: lar é onde o coração está. e o que a poesia conta? que estamos no mundo para ajudar uns aos outros a encontrar o caminho de volta. que, por mais tentador que seja julgar determinados segmentos da nossa jornada ou relacionamentos como "desvios de caminho", não há desvios ou acidentes na vida. tudo é caminho. e todos somos parte importante nos caminhos alheios. mesmo (ou especialmente) que as experiências sejam dolorosas. a pessoa mais "errada" que cruzamos em nossas vidas é justamente aquela que nos expõe ao contraste. o espelho. a reflexão que retorna a nós. tortuosos são os caminhos que nos levam de volta ao lar. mas alivia: à medida que envelhecemos, a estrada fica mais curta e a luz mais intensa - difícil perder-se quando a casa está logo ali, no dobrar da esquina...
 
** and every stranger's face I see, reminds me that I long to be - da canção Home (Homeward Bound), do Paul Simon e Art Garfunkel
  

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