segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Assobiar e chupar cana

Close to you não sai do repeat da minha cabeça desde que li no blog da Ana Clara Garmendia que vem sendo a música mais tocada nas rádios de Paris no último mês - o que sugere um sopro setentinha na moda e no comportamento, again.

Aprendi a ouvir esta canção na voz dos Carpenters. Ok. Fui atrás de uma aparição dos irmãos Carpenters no youtube. Surpresa, descobri que Karen Carpenter, a cantora com voz doce e suave como creme holandês era também baterista.


Desconhecia esta faceta de Karen e impressionei-me. Não que tocar bateria e cantar seja impossível, mas é um dogma no mundo musical. Assim como preparar a carne e a sobremesa na mesma panela ao mesmo tempo pode parecer impraticável, mas quem tem talento dá conta.

E talento Karen sempre teve de sobra. Além de uma história triste de morte precoce, aos 33, por complicações derivadas da anorexia (um dos primeiros casos explorado com estardalhaço pela mídia, ainda em 1983).

Então raciocina comigo e se surpreende: como se não bastasse ser mulher e baterista - o que já é raro - foi uma vocalista de soft rock que sabia manejar as baquetas com extremo vigor e habilidade, à despeito de sua aparência frágil e das limitações de sua doença. Porque ela não tocava somente na cadência das baladas românticas que transformaram os Carpenters em campeões de venda na década de 70. Não! Aventurou-se em outros ritmos - no youtube há uma fartura de exemplos - como neste desafio para um programa de TV, onde se reveza entre uma estação completa de baterias montada ao redor do palco, sozinha, tocando uma marchinha militar, por mais de 5 minutos!



  • Mesmo quando Karen não está tocando a bateria, a bateria vai ao encontro dela - repara no quanto as mãos dela gingam quando a câmera se afasta.
  • E já que a melodia propicia, aproveita e repara em tudo:
  • em como o cabelo de Karen é igual ao da modelo Freja Beha Erichsen (capa da Vogue Brasil deste mês);
  • na mistura explosiva de magenta com laranja (que eu adoro!) e está por todo o lado que a gente olha: na moda, na decoração, na publicidade;
  • no estilo "mamãe me ama" do irmão de Karen e dos rapazes da banda (o bom mocismo é o que há nestes tempos politicamente corretos) 
  • no preto e branco permeando tudo...

  • depois, vira o post de ponta cabeça e volta pro início - reparou que a década de 70 não cansa de dar repeat na cacholinha da gente?


* Assobiar e chupar cana é uma expressão que meu pai usa muito. Ele costuma perguntar: "- Sabe assoviar e chupar cana?" (ele fala assoviar - com V - o que também é correto) e a gente tem que responder com algo do tipo: "- Sei. Escovo os dentes e calço os tênis!" Eu, por exemplo, assobio e chupo cana quando minha irmã me liga exatamente no horário de preparar o almoço, mandar os meninos pro banho, alimentá-los e despachá-los para a escola. Se eu dou conta? Claro - e sem queimar o arroz ou esquecer de temperar o feijão!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Veio a Noite e já chega o Dia...

Neste momento, uma e meia da madrugada, assisto a cerimônia de entrega do Oscar 2011. Aliás, eu sempre assisto aos 'oscars'. Até o fim. Mesmo quando a única tv no Brasil era a aberta. Mesmo quando menina, com escola no dia seguinte. Já adulta, enquanto amamentava meus filhos... em todos os momentos de minha vida, sem interrupções.

Com a chegada dos canais gringos de entretenimento ao Brasil, aumentei minha presença em frente à tv nestas ocasiões e também assisto à chegada dos atores e celebridades ao Chinese Theatre. Anoto todos os detalhes dos vestidos, jóias e estilistas desfilados. Já estive por duas vezes, em dois anos consecutivos, no canal de televisão local comentando a moda dos red carpets. Ao vivo, tá?, às 8h30 da manhã, só a algumas horas da premiação... hãm-hãm, parecendo uma versão feminina do Frankenstein: corpo do Rubens Ewald Filho, cabeça da Glória Kalil e as olheiras do padeiro da esquina.

Amo cinema, apaixonadamente. Mas nem sempre a academia de Hollywood é fiel à minha paixão, premiando filmes por política, favorecimento e todo aquele blablablá que sabemos. Enfim...


  • toda essa abertura e revelações pessoais irrelevantes para apresentar uma das injustiças desta noite -
  • o curta de animação Dia e Noite, dos Estúdios Pixar, não ganhou o Oscar de melhor filme na sua categoria!
  • nem vou escrever quem ganhou - quem quiser saber, é fácil descobrir (e difícil entender)
  • melhor mesmo é clicar no play aí em cima e comprovar: Dia e Noite é precioso!
  • uma finíssima obra de arte que, sem palavras (!), com leveza e humor (!!) e em poucos minutos (!!!) elucida a complicada estrutura da ambivalência (yin e yang, dois lados da mesma moeda, feminino e masculino, claro e escuro, duas metades que se complementam em um só).
  • uma aula para crianças (e não só elas) de que não precisamos temer nosso lado obscuro
  • somos noite e dia. e podemos ser muitos em um só. 

*







* update: a cerimônia já acabou. o último prêmio, de Melhor Filme, foi para O Discurso do Rei. torcia por Toy Story 3 (também da Pixar - aliás, Dia e Noite está na abertura de Toy 3). mas não vou reclamar. após tantos anos assistindo aos oscars, acabei justamente me apegando aos discursos de agradecimento: são emocionantes, divertidos, cínicos, egocêntricos, atrapalhados, constrangedores e tão reveladores da natureza humana! como não poderia aprovar um filme que carrega (já no título) a promessa de uma declaração de humanidade de uma figura de natureza tão retórica quanto o rei da Inglaterra?

O fim é uma metáfora

  
"Esta é uma experiência essencial em qualquer realização mística. Você morre para a sua carne e nasce em seu espírito. O fim do mundo não é um evento cataclísmico de cujo terror do julgamento final nos aproximamos cada vez mais. O fim do mundo acontece todos os dias para aqueles cuja introspecção espiritual lhes permite ver o mundo como ele é: transparente para a transcendência, um  sacramento do mistério ou, como escreveu William Blake, infinito. O apocalipse é tão somente uma metáfora. Não apenas um artifício literário, mas um meio de transmitir uma experiência real do transcendente que não pode ser limitado por nossa limitada perspectiva racional."


"O fim do mundo é uma metáfora de nosso começo espiritual e não nosso fim cruel e ígneo." Joseph Campbell, em Isto és Tu



 

* para meu filho T., que insiste em me perguntar quando será o fim do mundo... Dedicado a João Batista, amigo e mestre que me guiou na descoberta de Joseph Campbell. Cena de Lawrence da Arábia - imagem a qual sempre recorro quando busco uma metáfora para o fim e a morte.

Como um homem pensa, assim ele é


Existe uma fábula indiana, contada em Varanasi, que fala de três vultos que foram vistos bebendo no rio Ganges ao amanhecer.

O primeiro era Deus, pois que Ele tomou da água e bebeu ambrosia.

O segundo era humano, pois bebeu a água e se saciou.

O último era um demônio, bebeu e cuspiu imundície.

O que você recebe é fruto da sua própria consciência.

...

  • Lembrei-me deste conto, recontado por Joseph Campbell em um de seus livros, enquanto lia Jeff em Veneza, Morte em Varanasi, do jornalista e escritor britânico Geoff Dyer.
  • Dyer é um autor premiado no Reino Unido e que esteve no Brasil ano passado na Flip (Feira Literária de Parati-RJ) - justamente para o lançamento do livro que li.
  • Mas não foi isso que me mobilizou em trazer o livro para a casa, do balcão de lançamentos da livraria, onde o vi pela primeira vez.
  • Foi pela resenha, que prometia um romance contemporâneo sobre o desejo em todas as suas manifestações - "o desejo de sensações, de fuga e de se tornar outra pessoa, seja por meio do amor ou da arte, seja através do entorpecimento ou da transformação espiritual". 
  • A resenha não me enganou - apesar de ter suscitado uma expectativa que não se concretizou com sua leitura.
 (ah! o excesso de expectativas... a frustração é medida pela
distância entre a realidade e as nossas expectativas)
  • Ainda assim, fiquei encantada com a visão crua, fleumática e distanciada (como sói aos ingleses) que o autor faz da cidade sagrada de Varanasi.
  • Imperdíveis suas impressões sobre o trânsito, sobre o colorido dos ghats e templos ao longo do Ganges; a presença relaxada dos animais, como macacos, elefantes, cachorros e até de improváveis golfinhos e cangurus! 
  • E a massa de seres humanos? Tantas crianças, comerciantes, mendigos, doentes, debilitados, gurus, turistas... 
  • E a onipresente fumaça dos funerais intermináveis? As cinzas ofuscando os sentidos, encobrindo a realidade...
  • E não seria esse mesmo o real intuito? Em meio ao excesso de sons, de cores, de sabores, de aromas, de deuses, de gente, enfim, a única possibilidade é refugiar-se no interior, no nossa profunda intimidade para após, reconhecer a Índia como o lar da espiritualidade na Terra.
...
  • Jeff em Veneza, Morte em Varanasi, não foi meu livro definitivo sobre a Índia. Antes houve Salman Rushdie. E Rohinton Mistry, com Um Delicado Equilíbrio (uma "bíblia" sobre a Índia).
  • Mas foi em suas páginas que me encontrei finalmente com algumas verdades que me perseguem
  • como o aforismo do título deste post [Como um homem pensa em seu coração, assim ele é], atribuído a Jesus Cristo, no livro de Isaías;
  • e a moral da fábula transcrita por Campbell [O que você recebe é fruto da sua própria consciência];
  • que o verdadeiro poder reside na crença;
  • e que não há diferença entre a fé e o conhecimento - que estas são, tão somente, mais duas das maravilhosas expressões destiladas da humanidade. Belas metáforas que fornecem pedras de toque, insights de sabedoria, ensinamentos essenciais para a navegação correta e satisfatória dentro da existência humana.
...


  • para entrar no clima de Varanasi, o videoclipe de Burial, de Miike Snow
  • (se Gabriel Garcia Marquez escolhesse o cinema e não a literatura, faria algo parecido com isso;
  • melhor, se Garcia Marquez fosse uma cidade, seria Varanasi).



*







* para Jenniffer, secretária do consultório do pediatra, que me pediu sobre o que era o livro que eu estava lendo.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sede?



  • Primeiro foi o copo com design ecothought que me fez parar o pensamento por alguns minutos e refletir além.
  • Dias depois, foi o trabalho de uma artesã nordestina que usou a criatividade para falar do problema da seca na sua região (ela faz réplicas de garrafas famosas com areia no lugar da água).

  • Duas formas impactantes de relembrar que temos cada vez menos água no planeta...
  • ... e que a criatividade humana é ilimitada na sua capacidade de romper com as convenções e recontextualizar o panorama em busca de soluções nunca antes pensadas.  

  • De quebra, satisfiz uma curiosidade que me perseguia desde a infância - como raios são feitas essas garrafinhas de areia?!

  • Bastaram-me 1m08 de imagens para acabar com mais de 40 anos de ignorância...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O que nos leva a ler poesia?

"Enquanto escrevia o roteiro [do filme], essa pergunta ia e vinha em minha cabeça. Refleti, refleti e cheguei à resposta óbvia: 

A poesia é nossa resposta para o que não compreendemos, é nossa forma de buscar alguma beleza quando as coisas ao nosso redor estão feias ou complicadas". 



 
*Lee Chang-dong, cineasta sul coreano, ganhador do prêmio de melhor roteiro em Cannes, 2010. "Poesia", que acaba de estreiar nos cinemas paulistanos, é segundo Lee, um filme belo e duro "como a vida".

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sem desculpas para amar



  • na seção músicas que eu amo desta semana, uma baladinha com perfume sixtie de uma banda de San Francisco que descobri outro dia, chamada The Morning Benders.
  • Excuses é nada menos que uma delicinha: de ouvir, dançar, namorar, cantar, viajar...
  • Gamei na melodia e na profusão de instrumentos, tipo big band 
  • e no estilo todo fofo do vocalista Christopher Chu de fechar os olhos e apertar as mãos enquanto canta.
  • Mas o charme do vídeo está na gravação da música, na base do "chama ozamigo tudo pra fazer um som".

  • Porque saber que podemos contar com os amigos para toda e qualquer situação já é maravilhoso.
  • Mas quando são tantos e sabem "tirar um sonzinho"... aaah! aí fica um trem bão dimais da conta, né não, Cazeduardo?
 

A teoria do "porque sim", explicada cientificamente (e testada em laboratório!)


"Cinco macacos, uma banana pendurada no teto. Abaixo da banana, uma escadinha pra facilitar.
Não demora muito para que um dos macacos se anime em direção a escada para pegar a banana que está lá, dando sopa. Mas assim que ele coloca seu pé no primeiro degrau… splaaaasshhh!! Os outros quatro macacos são esguichados com água super gelada.
Um tempo depois, passado o susto, outro macaco resolve ir pegar a banana e novamente, ao pisar no primeiro degrau, os outros levam uma nova esguichada de água gelada. Depois que isso acontece algumas vezes, o grupo logo aprende as consequencias do ato e toda vez que algum dos macacos tenta ir em direção a escada é rapidamente impedido pelos outros. Aí é que o experimento fica bacana de verdade.
Agora, um dos macacos é substituído por um novo. Sem saber da sacanagem do banho gelado, vai direto em direção a escada. Para sua surpresa e indignação, os outros quatro macacos não deixam. Depois, mais um macaco é substituído e também vai de cara pra escadinha, mas é bloqueado pelos outros – inclusive pelo macaco que tinha acabado de chegar.
O procedimento é repetido até que todos os macacos da primeira etapa sejam substituídos por novos.
O cenário que resta nesse momento é o seguinte: uma banana bonitinha, amarelinha e deliciosa, só esperando para ser devorada, mais uma conveniente escadinha, mais cinco macacos que impedem uns aos outros de saciar sua fome e vontade, sem que nenhum deles tenha a mínima ideia do motivo para que continuem fazendo isso. Nenhum deles tomou esguichada de água gelada, mas ficam lá olhando a banana e passando vontade porque parece que ali as coisas sempre foram desse jeito, fazer o quê.


  • Eu acho que tem a cara da Câmara dos Deputados de Brasília, mas não sei, pode ser só um deja vu, parece com tanta coisa que a gente conhece... 



* textaço do Wagner Brenner, do update or die.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ninguém me venha dar vida


Ninguém me venha dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferida,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser
e não me quero encontrar,
que estou dentro de um navio
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.

Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.

Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis a quem não quis. 

Cecília Meireles, 1947 




*pode acreditar: transcrevi este poema de cabeça, sem colinha! Foi um dos primeiros que decorei  e é ainda um dos meus prediletos dentro da fascinante obra de Cecília M., justamente porque foi o que me despertou para a poesia, aos 13 anos de idade. Trago comigo, desde essa época, o romantismo fora de propósito e o livro, com as páginas amareladas e comido pelas traças (como também está o romantismo, aliás, à esta altura, completamente irremediável!): o volume 6 de Poesias, da Coleção Para Gostar de Ler, da Editora Ática. Mais alguém ainda tem?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Eu, que eu possa descansar em paz

Eu, que eu possa descansar em paz
eu, que ainda estou vivo e digo:
Que eu possa ter paz no que tenho de vida.
eu quero paz agora mesmo, enquanto ainda estou vivo.
Não quero esperar como aquele piedoso que almejava
uma perna do trono de ouro do Paraíso. Quero uma cadeira
de quatro pernas, aqui mesmo, uma cadeira simples de madeira.
Quero o resto de minha paz agora.
Vivi minha vida em guerras de toda espécie: batalhas dentro e fora,
combate cara a cara, a cara sempre a minha mesmo,
minha cara de amante, minha cara de inimigo...
Guerras com velhas armas, paus e pedras, machado enferrujado, palavras,
rasgão de faca cega, amor e ódio,
e guerra com armas de último forno, metralha, míssil,
palavras, minas terrestres explodindo, amor e ódio.
Não quero cumprir a profecia de meus pais de que vida é luta
Eu quero paz com todo meu corpo e em toda minha alma.
Descansem-me em paz... 

Yeuda Amichai (traduzido por Millôr Fernandes)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Épico gastrônomico

Utilizando tomadas e trilha sonora cinematográficas, narração do Rutger Hauer (adoro! Lembram dele em Blade Runner? Forte!) e uma edição de primeira, este comercial para a marca dinamarquesa de manteiga Lurpak, transforma o simples ato de fazer um omelete em... something!



  • devo confessar, sou vegetariana do tipo "nem um peixinho? nem mesmo um franguinho? Nuooosssa!"- há mais de 20 anos;
  • mas não sou louca a ponto de dispensar ovos ou manteiga - au contraire - estes jamais faltam em nossa geladeira!
  • amo cozinhar. E nutrir minha família é uma das funções maternas que desempenho com maior prazer
  • (depois dos beijinhos, carinhos e fungadinhas...)
  • Sou especialista em omeletes - com manteiga, cebolas douradas, manjericão, salsinha, tomates cereja, truques de chef para deixá-los mais fofos, pitadas de páprica e pimenta da jamaica... o que a criatividade e a despensa mandam - mas sempre com ovos orgânicos!
  • os que tenho comprado têm gemas tão alaranjadas, tão cremosas, tão docinhas... que só podem vir de galinhas em dieta exclusiva de abóboras, morangas e kabutias, sério!
  • passa aqui nas manhãs de domingo e comprova!




 
* Omeletes e ovos perfeitos parecem ser uma obsessão. Leu a Folha de São Paulo desta semana?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Morfeu, me abraça!


Balneário Camboriú, hoje como ontem...



  • Quando recebi o link deste vídeo, não fazia idéia do que estava prestes a ver.
  • Sei que é clichê, mas estas imagens são (para mim que nasci e vivo em Balneário Camboriú) de um valor inestimável.
  • Achei delicioso reconhecer a "minha praia" antes mesmo de conhecê-la, propriamente.
  • E verificar que, na atualidade, as pessoas continuam as mesmas, como personagens de uma peça há décadas em cartaz.
  • Vemos famílias confraternizando; crianças brincando; garotas correndo e andando de bike; rapazes jogando futebol, o exibicionista com sua moto à toda; mulheres passeando de braços dados, os hotéis, os ônibus de turismo... mesmo os cachorros na areia e as carroças - todos tal e qual hoje, como se o tempo não tivesse passado e a paisagem ainda fosse a mesma! 
  • Melhor: a paisagem é a mesma, só está diferente!
 
  • Não que eu aprove a "modernização" desenfreada, mas não sou saudosista - nem um pouco!
  • É que aprendi a respeitar que a mudança é o que há de mais fixo no mundo.
  • E se "o movimento é a única constante de um universo inconstante", que diferença faz a engrenagem da "garapeira" (aos 3:08 min., viu?) ser movida à mão? (Tal qual à da casa da minha avó - exatamente como conheci)
  • ou hoje, o "extrator de sumo de cana" ser uma engenhoca movida à eletricidade?
  • O importante é que o caldo de cana... aahhh, hhmmmmm... continua o mesmo, desde sempre!
  • assim como Balneário Camboriú.




* ok, foi mal. Perfeitamente dispensável minha citação filosófica de academia de ginástica. Mas em História, dou nó cego em professor! Veja como descobri que a data que consta nos vídeos não é correta. Rá! Nem fraca ni flaca!

    Clássico X Pop

    Três vídeos espetaculares pra arrasar com qualquer conceito antiquado que ainda insista em distanciar a arte clássica da popular.

    Aprecie sem moderação!
    1 -  Os garotos Stjepan Hauser e Luka Sulic, da Croácia, interpretam Smooth Criminal, do Rei do Pop, Michael Jackson em solo de dois cellos . Esqueça as caras e bocas dos rapazes e arrepie-se com os agudos inacreditáveis que o violoncelo pode chegar... Intenso!


    2 - Manuel Iradian e David Evangelista, tocam uma versão do primeiro movimento - "Verão" - do clássico barroco "As Quatro Estações", escrita por Vivaldi no sec. 18 (detalhe: os garotos são guitarristas de heavy metal!). Clica fundo e sem preconceito que os meninos impressionam!
    3 - Por último, a prova de que o Brasil é mesmo um país surpreendente: John Lennon da Silva... dançando o Cisne Negro! Repara no equilíbrio elegante entre talento, juventude e humildade. No ponto!


    • Agora pensa no orgulho que sentem as mães desses meninos...?
    • Fosse eu [uma destas mulheres], explodiria! 

    segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

    Sinceramente...



    ... espero não ter que esperar até os 84 para ser assim tão sincera!

    domingo, 13 de fevereiro de 2011

    Para meu filho T., 8, que sempre me pede pra cantar uma "música bem romântica"


    À procura de uma canção de amor para "massagear" os corações dos meus leitores (coração é um músculo, lembra?) neste Dia de São Valentino, o Dia dos Namorados dos que moram na cobertura do mundo, lembrei-me de Annie's Song.

    John Denver é uma das poucas concessões que faço à country music porque suas canções, como Sunshine On My Shoulders, não só me auxiliaram no aprendizado da língua inglesa, como embalaram meus sonhos românticos na adolescência.

    Annie's song não é exatamente a música de amor mais linda do mundo, mas certamente uma das mais românticas já escritas. Amo especialmente o trecho instrumental (com uns violinos muito bem vindos) e a letra bem melosa - vez ou outra cantarolo alguns versos pro meu filho T., que sempre me pede uma canção "bem romântica" quando o ponho na cama:



    • you fill up my senses like a night in the forest/like the mountains in springtime/like a walk in the rain/like a storm in the desert/like a sleepy blue ocean/you fill up my senses/come fill me again/come let me love you/let me give my life to you/let me drown in your laughter/let me die in your arms/let me lay down beside you/let me always be with you/come let me love you/come love me again.

    *






    * e já que um assunto sempre linka outro, não é que há quem ainda morra de amor em pleno séc. 21? não acredita? eu também quase não acreditei...

    O amor é mais bonito que a vida

    "Há coisas que não são para se perceberem. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Mas tenho de dizê-lo.
    O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que  ninguém mais se apaixona de verdade. Que ninguém mais quer viver um amor impossível. Que ninguém aceita amar sem uma razão. O amor tornou-se uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas.
    Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é "na medida do possível".  O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
    Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
    Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão covardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia. Uma raça de "telefoneiros" e "emailzeiros", malta do "tá bem? tudo bem", de tomadores de cerveja, bananóides, borra-botas, romanticidas. Ninguém mais se apaixona? Ninguém disposto a aceitar a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor - a doença que é como um câncer a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
    O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "cobertorzinho de orelhas". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casaizinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Não resitiu à concorrência  do pessoal da pantufa e da serenidade. 
    Amor é amor! É essa beleza. É esse perigo. O amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
    O amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
    O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.  Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. 
    E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
    A vida dura a vida inteira, o amor não.
    Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também. 
     
    *
      





    * porque hoje, 14 de fevereiro, é o Dia Internacional do Amor. e também Dia de São Valentino - padroeiro dos namorados e amantes. porque eu acredito que todos os dias (e todas os instantes) são pra se falar do amor. e cometê-lo. passionalmente! **crônica Só um Mundo de Amor pode Durar a Vida Inteira, escrita pelo jornalista e escritor português Miguel Esteves Cardoso . Grandioso!

    quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

    domingo, 6 de fevereiro de 2011

    Pra dançar, no meio da sala




    e depois, exibir-se com a coreografia já bem ensaiadinha para os amigos, família, filhos...




    * a música Dance With Me, 2005, é de autoria do coletivo francês Nouvelle Vague. No clipe acima, a canção foi "colada" à uma cena do filme Bande à part, 1964, de Jean Luc Godard. Ficou demais, não é mesmo? Para ver a cena com o som original, clique aqui.

    O ego, as redes sociais e a cabala



     A cabala ensina que o ego é um grande inimigo. Por quê? Algumas vezes é óbvio. Quando tudo se refere a você mesmo, você não precisa de nenhum espaço para os outros nem para a energia do universo. Você bloqueia tudo. A única maneira de alcançarmos qualquer tipo de preenchimento real é quando estivermos abertos para a ajuda de outras pessoas e do universo. Se o foco ficar só em nós mesmos, ninguém estará lá para nos ajudar quando estivermos mal.
    As redes sociais não ajudam hoje a alimentar o ego? Eu amo as redes sociais. Elas conectam as pessoas e lhes dão poder e uma influência que nunca tiveram antes. Mas também aumentam o ego. As pessoas estão em algum lugar com alguém, fazem uma foto e publicam. Elas se sentem bem. Mas, por outro lado, se você comete um erro, em instantes o mundo inteiro sabe. Isso pode ser bom para o ego, mas também pode ser terrível.




    * O rabino americano Yehuda Berg, codiretor do Kabbalah Centre, um dos maiores centros de estudos da cabala no mundo, circulou por São Paulo nos últimos dias, na companhia do casal de atores americanos Demi Moore e Ashton Kutcher, seguidores da filosofia judaica assim como Madonna. De tudo o que se escreveu sobre sua visita, separei estas duas respostas, dadas a colunista Monica Bergamo, da Folha de São Paulo, em 06/02/11.

    É melhor ser feliz do que ser triste?


    Comprei a revista Lola Magazine (Ed. Abril, fevereiro, 2011) por conta desta chamada, lida na net: "É besteira ficar tentando ser feliz. O que faz a vida valer a pena é a diversidade. E viver a complexidade de emoções e sentimentos é que faz a riqueza da experiência humana, diz em entrevista o psicanalista Contardo Calligaris."

    A entrevista é boa - Contardo não costuma decepcionar. Para hoje, separei este trecho:

    "A felicidade é uma besteira cultural. Um produto de mercado, ou pelo menos, tornou-se isso. Serve apenas para ajudar a vender uma série de coisas que prometem nos fazer felizes. Eu não quero ser feliz. A felicidade leva a uma série de paradoxos completamente intoleráveis. Não quero ser feliz porque prezo a experiência na sua variedade e intensidade. Interessa-me viver o que a vida me dá em sua plenitude. Quero poder me desesperar quando perco alguém que eu amo porque morre, me deixa, ou a vida faz com que a gente se separe. Eu quero ser infeliz. Quero viver a complexidade de emoções e sentimentos que faz a riqueza da experiência humana. Você vai querer se privar de uma experiência tão rica quanto a perda do pai ou da mãe? É doloroso, mas crucial e comum a todos. Quero viver com alegria, inclusive as dores que a vida me apresenta."
    ...

    Coincidentemente, na Folha de São Paulo de ontem (sábado, 5/2/11), lendo a  crônica escrita pela atriz Fernanda Torres, tomei conhecimento do livro O Erro de Descartes, que faz uma advertência contundente a respeito do uso indiscriminado de antidepressivos. Segundo o autor [do livro], abrir mão da tristeza é dar adeus a uma das poderosas armas evolutivas responsáveis por manter a raça humana em estado de atenção. Anular a dor seria uma solução tão estranha quanto desligar o radar para não sofrer com a antecipação da tempestade.

    ...




    * O livro citado por Fernanda Torres, "O Erro de Descartes" (Companhia das Letras, 336 pág., R$ 63) é de autoria do neurologista português, Antônio R. Damásio.

    E se o lobo não fôr assim tão mal?















    * ilustrações da portuguesa Ana Oliveira

    Sabedoria

    Recebo muitos e-mails no estilo auto ajuda, repletos de conselhos e citações clichês, imagens perfeitas da natureza e com a mesma seleção de meia dúzia de standards musicais sentimentalóides.

    Apesar da repetição, nunca deixo de lê-los, um a um. Tenho por hábito ler/ouvir tudo, até o final - não por respeito somente, mas por ignorância: um conhecimento ou uma história podem se revelar somente no fim.  

    Como este, que decidi colocar aqui - provavelmente você já leu algo similar. A diferença é que, enquanto desenrolava as linhas deste, rolou uma invejinha da sabedoria desta vovó.

    Se envelhecer é uma m*, que ao menos seja em grande estilo!
    ...


    Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, em um domingo, sentar-me na poltrona da biblioteca e bebendo um cálice de vinho, dizer à minha neta:- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar. Mas não pense que estou lhe dando conselhos, isso se chama colaboração! Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis, a pele flácida e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta, saudável e forte.

    Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
    1. É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
    2. Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
    3. Satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.
    4. Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
    5. Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.
    6. Aproveite sua casa, mas viaje. Muito. Muitíssimo. Esta é a melhor aplicação que você pode dar ao seu dinheiro.
    7. Cuide bem dos seus dentes.
    8. Experimente, mude, corte os cabelos.
    9. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
    10. Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito... Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível e o futuro é imprevisível.
    11. Tenha uma vida rica de vida! Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
    12. Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
    13. E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
    14. Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.
    15. A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco! Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você.
    16. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
    17. Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação.
    18. Leia. Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, dance por mim.
    19. Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam e sempre farão.
    20. Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.

    Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?
    ...



    * fotos de Iris Apfel, nova-iorquina, 89 anos. Começou a carreira com o jornalismo de moda, mas notabilizou-se como designer de interiores - da Casa Branca! Foram oito os presidentes que a escolheram como decoradora: Truman, Eisenhower, Nixon, Kennedy, Johnson, Carter, Reagan e Clinton. Em 2010,  conquistou o prêmio estilo de icone global. Neste vídeo, um pouco do estilo e da exuberância de Iris.

    sábado, 5 de fevereiro de 2011

    Bule ou chaleira?


    • ouvi esta música no carro, ontem à noite e fui imediatamente transportada para o início de minha vida universitária, na primeira metade dos 80's.
    • naqueles tempos, quando as rádios tocavam Boy George, The Cure, U2, Madonna, Paralamas do Sucesso e Titãs, ouvir e gostar de Sade era quase uma transgressão.
    • quem curtia se achava muito cool (que é ainda mais cool do que ser só chique, sofisticado ou bem nascido);
    • os outros chamavam o estilo de "música de elevador" ou "música de aeroporto"
    • mas nas internas (tipo nas alcovas, mesmo) todos reconhecíamos que Smooth Operator era a trilha perfeita para nossas incursões sexuais.
    • a voz sexy de Sade Adu (pronuncia-se Shá-dê) e o ritmo tranquilo da canção eram o contraponto perfeito para a juventude exuberante dos anos 80.
    • (minha geração, conhecida por X, foi a primeira a desfrutar plenamente da liberdade sexual sem restrições - no exato momento do surgimento da AIDS! Nem Sade dava conta de tanta ansiedade...)

    • desta época, de um amigo que estagiava na Rádio Bandeirantes, em São Paulo, soube que nas rádios paulistanas, Smooth Operator era mais conhecida pela alcunha de bule ou chaleira
    • quer saber por quê? ora, experimenta trocar o refrão da música... casa à perfeição!
    • a partir daquele dia, nunca mais coloquei para tocar a faixa Smooth Operator do meu LP, suspeitando não conseguir controlar um acesso de risos bem na hora H.

    • mas não desisti de Sade
    • Sweetest Taboo sempre foi a minha predileta do seu repertório

    ... pra acender a vontade de namorar!

    quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

    Pra chorar, copiosamente

    Quantas histórias tristes já foram contadas pelo cinema?
    Quantos finais infelizes?
    Quanto amor que só quis a quem não quis?

    E o peito apertado?
    E os suspiros malogrados?
    E as lágrimas? Tímidas, largas, desesperadas...

    Tudo isso junto e misturado com uma das mais pungentes canções de amor que o cinema já criou: Loss of Love, de Henry Mancini.

    Para hoje, a cena final de Os Girassóis da Rússia, I Girasoli, 1970, com Marcello Mastroianni e Sophia Loren em magnifica atuação, dirigidos pelo mestre Vittorio De Sica.


    impossível resistir - é de partir o coração!



    terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

    No avião, com Joana, 5


    O vôo não prometia nada - 40 minutos! - mas nestas novas empresas de aviação o que se economiza em espaço e serviço de bordo, ganha-se em lombalgia e contato físico.

    Sentada ao lado da janela, a menina logo mostrou-se portadora da disfunção da interrogação - crivou-me de perguntas do primeiro ao último segundo. Entre um "é verdade que comer frutas com sementes faz crescer uma árvore na cabeça?" e "seu cachorro também não gosta de comer ração e prefere barbies?" ela indaga, com os olhos bem abertos, se eu já vi fogos de artifício.

    Eu digo que sim, claro, que minha cidade faz um tipo de campeonato consigo mesma no raiar do novo ano para que cada show da queima de fogos seja maior e mais atraente que o último. Que as luzes saem do meio do mar; de trás de uma ilha, que fica bem no centro da praia; de barcos que ficam ancorados na orla marítima; da areia da praia e das sacadas dos edifícios. Que é um espetáculo lindo, barulhento, multicolorido. E que são tantos os fogos e tão estrondosos que se tem a sensação que saem mesmo é de debaixo dos nossos pés e que nunca vão acabar.

    Ela me ouve até o final sem fazer pergunta. Cala (!), mantendo os olhos em mim, mas dando pinta que o pensamento está muito além.

    Aproveito a deixa e me exibo: - Sabe que eu até já vi os fogos de artíficio da Disney, aqueles que estouram atrás do castelo da Cinderela...

    Percebo que impressionei porque agora ela está me olhando com uns olhões muito surpresos e desconfiados e continua sem falar nada (!). Pergunto: - E você, Joana, onde viu fogos de artíficio?

    - Ah, eu vi foi no céu mesmo!


    ...  




    * Reveillon 2011 em Balneário Camboriú, SC. Foto do Diário Catarinense.

    Pensando fora da caixa

    • ou a Vitória do Sarcasmo
    • ou a Retórica da Lógica (ou a Lógica da Retórica)
    • ou Como um discurso pode ser tão inteligente e tão ignorante ao mesmo tempo


    • escolha qualquer um destes títulos mas, take a look no videozito (antiguinho, provavelmente você já conheça) e me responde:
    • - Pensar o mundo sem a danação da culpa (religiosa, católica, judaico-cristã, wtf) não é, 'tipo assim', um grande gozo? 

    Sobre os silêncios tristes e as perguntas sem respostas



    "Há palavras que metem medo, como a palavra amante. O que sou eu para ti? – pergunta, morta de medo que lhe responda: uma amante. E eu próprio fico com a palavra atolada na mente, com medo de responder: uma amante!

    E ali ficamos, dois amantes abraçados com medo de uma palavra. Como se a palavra amante não tivesse o brilho das grandes palavras que derivam do verbo amar.

    O que sou para ti? – volta a perguntar. Sabes bem o que és para mim, não sabes? - respondo eu, furtivo, com outra pergunta. Se soubesse, é claro que ela não tinha perguntado. Por isso cala-se.

    Os silêncios tristes fecham janelas dentro das mulheres. Até que se perdem dentro da sua escuridão como numa câmara escura em que se revelam.
    Perdemos uma mulher quando ela sai de dentro de si por uma porta diferente da que entrou.

    As paixões morrem porque as mulheres fazem mil perguntas e nós, agitados, quase nunca sabemos as respostas certas. Não está na condição da sensibilidade feminina viver sem perguntar. E os homens, que não foram geneticamente preparados para aguentar a pressão metódica das perguntas, abrem feridas com as respostas."




    *






     
    * outro excerto de Diário dos Infiéis, do escritor português, João Morgado (ainda sem edição brasileira). Mal posso esperar para começar a lê-lo...