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sábado, 15 de dezembro de 2012

Os meses oceano

 
E por vezes as noites duram meses 
E por vezes os meses oceanos 
E por vezes os braços que apertamos 
nunca mais são os mesmos.
E por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes 
ao tomarmos o gosto aos oceanos 
só o sarro das noites não dos meses 
lá no fundo dos copos encontramos.
E por vezes sorrimos ou choramos 
E por vezes por vezes ah por vezes 
num segundo se evolam tantos anos. 

David Mourão-Ferreira



*








* dezembro, anualmente, chega feito oceano. olho da praia, desde o novembro, e já avisto os cardumes, os barcos em férias, os albatrozes... vêm num crescendo, se avolumando, aos berros, aos solavancos. confiro os ventos, aufiro as marés e me lanço: nem sempre dá pé, o mar não é manso. sou d'água, penso com bem força, e avanço. passa janeiro, fevereiro...e só quando março me encontra é que descanso.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Conjugando o verbo "viver"


Funciona assim: uma vez no poço, há que enfrentar destemidamente o olho que te encara lá do fundo. Desembaraçar-se do lodo que sufoca, exaure e puxa pra baixo, feito areia movediça. E finalmente perceber o que somos, o que temos e o que queremos da vida.

E se é verdade que nem sempre o fundo é a pior perspectiva, é verdade também que custa muito [e dói, dói, dói] chegar a este ponto. O passado ata pés e braços: arrasta-nos! É que o "senhor das memórias" não gosta de ser negado. Primeiro avisa: uma infelicidade; saudades não de gente, mas de alegria; faz doer os joelhos, as costas, inflama os tendões, enrijece. Emite sinais todas as manhãs e ao anoitecer. Depois, no meio da noite. Então começa a gritar, nos ouvidos, cada vez mais alto, de dentro pra fora, até o ensurdecimento, até a loucura. Implora por aceitação, que nos orgulhemos dele. Só assim nos alforria, libertando-nos, desimpedidos, para o futuro.

Aqui não cabem culpa, remorso ou moral religiosa: as asneiras e os erros que cometemos ao longo da vida, mesmo acreditando já esquecidos ou riscados do mapa, um dia batem à porta, um a um, para um acerto de contas.

E é bem neste momento, quando percebemos o quão frágeis somos, o quão vulnerável pode ser a vida, quando damos tudo aquilo que somos e temos como certo, que o sopro da dúvida sacode a poeira dos nossos olhos e feito esfinge pergunta: "você é um homem ou um poste?"
 
 
...

Viver não é sorte ou destino. É uma escolha.
 
 
 
 
*
 
 
 
 
 
* dezembro é meu mês bipolar: alterno momentos de nostalgia e esperança com muitas horas de silêncio e deprê. não sei o que aciona isto. nem como acaba - já passei anos a fio vivendo um mesmo dezembro...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Por favor, dezembro, seja bom...


Chega o final do ano e começo a correria: casa pra limpar, contas a pagar, listas do que fazer, listas do que comprar, felicitações a escrever e responder, murchar a barriga pro biquíni, retomar as caminhadas matinais, marcar o médico... dar início - e finalizar! - tudo aquilo que não consegui (ou procrastinei!) nos últimos 11 meses.

Invariavelmente, fica muito por fazer. O que sempre acontece - e é um destes mistérios que não se explica - sempre sobra um tempo pra uma boa reflexão sobre a vida. Pode ser efeito das mensagens que pipocam na tv e congestionam a internet, dos filmes e músicas com temas natalinos, dos encontros com os amigos e com a família, dos abraços trocados... Não sei exatamente, mas dezembro propicia o encontro com o essencial. E é como uma espécie de "reconhecimento". Um chek up do que foi e do que pode vir. 

É clichê, eu sei (e atire a primeira pedra quem não é), mas não resisto: isso de virar a folhinha do calendário, rasgar o velho e começar do zero revira minhas ideias. Faz pensar no que quero pra mim, verdadeiramente. Dinheiro, saúde, felicidade e amor, são ótimos e bem vindos. Mas há mais...

E hoje, o que eu quero é mudar. Mudar de vida. De atitude. De latitude. Ou os dois. Ter essa coragem. Permitir-me. Admitir o que vai mal (e tem conserto) e o que não vale mais um centésimo de meu esforço. Que o caminho reto é o mais curto e também muito chatinho. Que, apesar disso, a razão pode não estar ao meu lado [MEDO!]. Que a vida não é mesmo cor de rosa - então, porque a insistência em desperdiçá-la? Que idealizo um bocado. Que existem muitos "ses" na minha boca. E que são muitos mais em meu pensamento, a minar meus dias e minhas decisões.

Que é isso: só preciso de uma única coisa - que todo o resto já me foi dado - agarrar a vida com os dentes! Tal como ela é: comezinha, sim, tantas vezes; mas também fértil de oportunidades.

Mudança, aguarde-me! Que te quero de frente, com maturidade e honestidade. É esta agora minha premissa. O meu compromisso. Comigo, com minha vida e para com os outros. Especialmente, com os que me amam.



...





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* precisando de coragem pra mudar? eu também! pena que isso não vem com receita... mas posso indicar meu caminho até esta tomada de consciência: o clima pra escrever o textinho acima veio com a nova dos Goldfrapp (super recomendo!). já a inspiração pra mudar veio de mil conversas com a melhor amiga de todos os tempos (amigos têm esse poder, não é? sabem ler nossas entrelinhas mais e melhor que ninguém). ** se este é também seu momento, vai ficando por aqui: tem um tanto de coisas que quero trocar. vai ser bom ter sua companhia!