Por que não vens agora, que te quero E adias esta urgência? Prometes-me o futuro e eu desespero O futuro é o disfarce da impotência. Hoje, aqui, já, neste momento, Ou nunca mais. A sombra do alento é o desalento O desejo o limite dos mortais.
Miguel Torga
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* e a lógica transcende - o desejo que nos limita é também o que nos faz imortais.
Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.
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Desejo é uma palavra com a vivez do fogo e outra com a ferocidade de um só amante Desejo é Outro. Voragem que me habita
Hilda Hilst, in Do Desejo, 1992
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*"Minha convicção, reforçada por vinte anos de prática, é que, enquanto criam segurança, muitos casais confundem sexo com absorção. Essa confusão é um mau presságio para o desejo. Para ser mantido, o impulso para o outro precisa atravessar uma sinapse. O erotismo exige distância. Em outras palavras, o erotismo viceja no espaço entre o eu e o outro. Para entrar em comunhão, os amantes precisam ser capazes de tolerar esse vazio e seu véu de incertezas". Ester Perel [terapeuta de casais, na introdução de Sexo no Cativeiro].
"Quando a voz interna que fala por meio de sonhos e projetos é sufocada por
desejos e suas subsequentes desilusões, perdem-se a ingenuidade e o élan que são
imprescindíveis. Para onde quer que se corra ou se olhe, lá está o desejo. E não
bastará saciá-lo no momento, porque o desejo está sempre mais preocupado com a
preservação de sua potência do que com a própria experiência de usufruir sua
realização".
Nilton Bonder, in: O Sagrado
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* as Cidades Invisíveis (1972), do escritor italiano Ítalo Calvino imagina um diálogo fantástico entre Marco Polo, "o maior viajante de
todos os tempos" e o famoso imperador dos tártaros, Kublai Khan. melancólico por não
poder ver com os próprios olhos toda a extensão dos seus domínios,
Kublai Khan faz de Marco Polo o seu telescópio, o instrumento que irá
franquear-lhe as maravilhas de seu império. Polo então começa a
descrever minuciosamente 55 cidades por onde teria passado, agrupadas
numa série de 11 temas: as cidades e a memória, as cidades e o céu, as cidades e o mortos, as cidades delgadas, entre outras. as visões, projetadas numa rigorosa arte
combinatória, bebem de muitas fontes, desde as Mil e Uma Noites até as
megalópoles que vemos no cinema. o resultado é um livro extraordinário e
indefinível. em nenhuma outra obra Ítalo Calvino chegou tão perto dos valores que considerava fundamentais à sobrevivência da
"espécie literária": leveza, rapidez, exatidão, visibilidade,
multiplicidade e consistência. é impossível não se
perder nessas cidades, como é impossível não se enredar nessas teias de
palavras. [da Folha de São Paulo]
* "nesta terça, 13/11, dia de Marte, às 20h (horário de Brasília), a Lua encontra o Sol e dá início a uma nova lunação. poucos minutos depois do casamento do Sol com a Lua, temos o temido eclipse total do Sol. o Dragão (Nodos Lunares) abre a boca e engole o Sol. escorpião, o do violento ferrão, porta veneno. o veneno que mata também é o veneno que cura, depende da dose, como ensina a homeopatia e os que fazem autópsia. nos próximos 30 dias, há quem tomará do próprio veneno em taça de cristal. e me desculpem o tom dramático, é que a Lua está em Escorpião." (João Acuio) ** no vídeo, Megan -Jessica Paré - dança para seu marido Don, em cena de Mad Men 5.
Ondula mansamente a tua língua de saliva tirando toda a roupa...
já breves vêm os dias dentro de noites já poucas.
Que resta do nosso gozo se parares de me beijar?
Oh meu amor... devagar... até que eu fique louca!
Depois... não vejas o mar afogado em minha boca!
Maria Teresa Horta, Gozo IX, in As Tormentas
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* sabe a sensação de mergulhar no mar aberto? quando não se faz ideia do quão fundo está? quando a profundidade abaixo parece sem fim feito o céu, acima? a pele inteira tomada de umidade. nenhum vão do corpo escapa da água salgada. um estar-se entregue, simplesmente. a leveza. o desejo de mover-se como um bailarino. de voar até. sede. extenuação. o raciocínio que não se completa, só contempla as coisas como são. as palavras que secam na boca. que só abre para gemer. uma exclamação de prazer... assim é como sinto a poesia de Maria Tereza Horta em mim.
"Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é que faz de nós seres tão refinados. Por que é que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Por que é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer."
Sigmund Freud
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* vou à praia refletir nisso e volto só depois que chegar à alguma conclusão, pode ser? ** (deve ser também por isso que brasileiros têm fama de hedonistas e sensuais: dá pra pensar em alguma coisa com tanto sol na cabeça e uma costa desta imensidão e beleza?)
"...porque hoje a saudade me acordou com cheiro de mar. depois grudou na minha pele feito areia fininha, ardendo com a falta que você me faz."
Silvana Tavano
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* eu quero ficar com você, quero grudar em você, quero me bordar em você, quero virar sua pele, quero fazer uma capa, quero tirar sua roupa." (Mallu) ** e que esse sol inclemente, que anda derretendo meu juízo, derreta também teu gelo, amém!
Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa (em muitas línguas) uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro.
Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão.
Outras vezes, os raios-x dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.
Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.
O escritor e psicanalista Contardo Calligaris, na coluna de 8/12, na Folha de São Paulo explica como esse sentimento se manifesta:
"Nossas vidas são abarrotadas de caminhos que deixamos de pegar; são todos pentimentos, mais ou menos encobertos: histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou a coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.
O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente?
Nem sempre os pentimentos são bons conselheiros - até porque, às vezes, eles são falsos. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Graças às redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado.
No reencontro, um namorico da adolescência, insignificante e esquecido, transforma-se em (falso) pentimento, ou seja, numa aventura que poderia ter aberto para nós as portas do paraíso (onde ainda estaríamos agora, se tivéssemos ousado trilhar esse caminho).
Quando examino as fotos de minhas turmas do colégio, sempre fico com a impressão de que deixei amizades e amores inacabados ou nem começados, mas que teriam revolucionado meu futuro.
Somos perigosamente nostálgicos de escolhas passadas alternativas, que teriam nos levado a um presente diferente. Se essas escolhas não existiram, somos capazes de inventá-las - e de vivê-las como pentimentos.
Os pentimentos não são necessariamente recíprocos e os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre."
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* fui apresentada ao vocábulo pentimento há quase 20 anos, através do livro com título homônimo, da Lilian Hellman (outra intervenção luxuosa do ilustrado Beto Mafra). após a leitura, ficou-me a sensação melancólica de que o pentimento é inerente e inevitável, assim como também a confusão que ele cria... feito estampa a imagem que ilustra o post. ** enquanto escrevia, ouvi I can't make you love me/Nick time, na versão do Bon Iver... pareceu-me uma boa sugestão pra ti, também.
A hora do cansaço As coisas que amamos, as pessoas que amamos são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável no limite de nosso poder de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca, dar-lhes moldura de granito. De outra matéria se tornam, absoluta, numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos, e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário, de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis. Restituímos cada ser e coisa à condição precária, rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gozo acre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
...
Mortos que andam
Meu Deus, os mortos que andam!
Que nos seguem os passos
e não falam.
Aparecem no bar, no teatro, na biblioteca.
Não nos fitam,
não nos interrogam,
não nos cobram nada.
Acompanham, fiscalizam
nosso caminho e jeito de caminhar,
nossa incômoda sensação de estar vivos
e sentir que nos seguem, nos cercam,
imprescritíveis. E não falam.
...
[...]
O amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
...
No mármore de tua bunda
No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.
Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence.
Tu a levaste contigo.
*
* "mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão... " porque hoje, 31 de outubro, é celebrado o aniversário de nascimento de Carlos Drummond de Andrade,um mineirode opiniões fortes e língua ferina, que escreveu intensamente sobre as coisas do amor, do sexo e da morte [escorpiano, né?].
se algum dia por acaso eu voltar a rasgar a tua latitude neste planeta podes abocanhar-me caçar-me com os incisivos balançar-me na boca
não aceites as minhas habituais desculpas de nómade nem acredites quando te disser que tudo o que tenho cabe dentro de uma mala começa por enconder-me os sapatos convence-me a destruir os mapas de viagem e a engolir âncoras pedras uma morada com número na porta
mesmo que o meu desassossego geográfico estremeça a perna direita debaixo da mesa e agite o metal dos talheres não hesites leva-me para tua casa
prova-me que não tenho que apanhar o último comboio da noite que incendeia a costa e que me ajuda a fugir todas as madrugadas recebe-me nas zonas sem roupa do teu corpo manobra-me a língua usa-me
e quando a tua carne já não precisar de mim amarra-me cuida do meu sono temporário obriga-me a dizer-te aquilo que os meus dentes sem coração nunca autorizaram:
* nem sei precisar o que mais me espanta: que haja gente de verdade a viver nesta casa (que só poderia mesmo existir na Dinamarca, terra de contos de fadas) ou que haja tantos jovens talentos portugueses a escrever como se muita vida já tivessem vivido. haja!
ouças minha oração antes de curar-me desta doença que
quero saciar ao invés de extinguir. "
Santo Agostinho
...
Antes de se converter ao cristianismo, Aurélio Agostinho, o famoso Santo Agostinho, conheceu uma vida de excesso.
Em 370, iniciou os seus estudos de Retórica em Cartago. "Vim para Cartago, onde caí em um caldeirão fervente de amores ilícitos. Eu ainda não estava apaixonado, mas já amava o amor."
Em Cartago, viveu durante 13 anos com uma mulher e teve um filho. São também de Santo Agostinho essas maravilhosas [e incríveis,para um santo católico, diga-se] citações:
"A medida do amor é amar sem medida."
"A dor de ter perdido não supera a alegria de um dia ter possuído."
"Necessitamos um do outro, para sermos nós mesmos."
*
* não sabia: Santo Agostinho é também patrono dos cervejeiros - o que não explica nada, mas significa um tanto. ** meu sábio amigo João Batista, uma vez disse, "não busco por amigos, médicos ou políticos que sejam santos, puros e intocados. prefiro os que bebem, amam demais e perdem o controle; são estes que conhecem a verdadeira natureza humana - estes podem vir a me ajudar". *** outra: a imagem que ilustra tentadoramente este post não é fotografia, mas um óleo sobre tela do italiano Luigi Benedicenti.
Gosto muito de muito em ti: quando te fazes de desentendido quando tentamos, em vão, descobrir quem seduziu quem. Que me saibas dar a resposta de quase tudo que te pergunto. De dizer o teu nome em voz alta. De quando me telefonas no meio do dia só para dizer que estás com saudades. Gosto da meiguice desmedida, desse jorro de ternura que não me dá tréguas e que todos os teus poros façam por me agradar, embora me agrades tanto com tão pouco esforço, naturalmente, assim como se respirasses. Gosto que me seques as costas depois do banho, da tua voz que suspira entrecortada quanto te beijo sem parar. Ou que me venhas pegar de carro quando desatam tão somente uns pingos mirrados de chuva. Gosto de quando te perdes na linguagem crua do prazer e dizes que me fazes e me aconteces e que eu isto e aquilo, enquanto as tuas mãos substituem tua boca. Gosto do hálito suave e ainda ofegante, uma mistura diabólica de poesia, infância no mato e muitos muitos pensares antes do falar. Gosto que não precises de olhar pra trás quando passa uma mulher bonita, quando repetes que nunca nunca vais me abandonar, que sou única, que sou tua. Só tua. Gosto da coragem com que entraste na minha vida, da consciente maturidade com que abriste caminho em mim e do espírito de aventura com que me desbravaste; e gosto dessa segurança tão masculina de não precisar entender meus mistérios femininos. Gosto de te ser muitas coisas: tua delícia, tua linda, o teu dormir, teu sonhar, tua dona, TUA; o bom dia mais esperado da manhã, o boa noite sem o qual não há noite às noites, um aperto no coração, o consolo, o eco na consciência, a urgência e o desejo sempre à solta, arritmias, formigamentos. E gosto dessa tesão fora de hora, quando me adivinhas de costas no escuro e o meu corpo está desprevenido enquanto o resto fica à solta, em sonhos indecifráveis.
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* mais uma tentativa de explicar o inexplicável - ou quando as palavras são insuficientes, que se baste o corpo, que é o que domina a língua dos deuses... ** outra trilha para este texto? esta, seguramente.
O tempo não traz alívio; mentiram-me todos os que disseram que o tempo amenizaria a minha dor. Sinto sua falta no choro da chuva; Quero sua presença no recuar da maré. A velha neve escorre pela encosta de cada montanha, E as folhas de outono viram fumaça em cada caminho Mas o triste amor do passado deve permanecer o meu coração, e meus velhos pensamentos perduram. Há centenas de lugares aos quais receio ir - por estarem repletos de lembranças dele. E ao entrar com alívio em algum lugar tranquilo Onde seu pé nunca pisou, nem seu rosto brilhou. Eu digo: "Aqui não há nenhuma recordação dele!" E com isso paro, arrasada, e me lembro tanto dele.
Edna St. Vincent Millay, O tempo não traz consolo
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* ah! o amor - quando tudo parece ser possível e lindo e perfeitinho mas simplesmente, não acontece... a sensação de estranhamento diante do inexplicável. quando nada consola. e o tempo só piora. ** no vídeo, a melancólica cena final de Cinema Paradiso, com a emocionante composição do maestro Ennio Morricone.
dizem que antes de morrer passa um filme da nossa vida na cabeça
...
(ao menos, que seja um blockbuster).
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* meu desejo foi sempre que o filme de minha vida fosse muito romântico e leve, feito os musicais estrelados por Fred Astaire e Ginger Rogers. Com o passar dos anos, já me dava por contente se o roteiro parecesse o das comédias românticas: depois de muitos desencontros e algumas lágrimas, os momentos divertidos e o final feliz compensasssem o ingresso. Mas que nada! Após a primeira parte, um draminha caretinha, tipo novelinha das seis, o negócio desandou. Tá mais parecendo ópera bufa. Precisando urgentemente de um clímax no roteiro da minha vida. Uma mudança de cenário. Novos personagens. Ou treinar a atriz principal - tadinha! - desprovidinha de talento... ô dó! ** o post vai inteirinho para meu amigo Gabriel G. L., companheiro de infindáveis sessões de cinema. Feliz aniversário, amigo! Nossa amizade é o trecho mais doce no filme da minha vida.
A noite é uma criança e torna-se tão clara agora que você está em mim
Vamos dar tempo ao tempo - o homem na lua até sorri ele conhece nossos sonhos e sabe que esta noite é para amarmo-nos, vagarosamente...
A brisa suave sopra gentil varrendo nossa pele e nosso amor lento como um vento sutil...
So, let's do it fazer durar uma eternidade uma centena de vezes não serão suficientes não apressemos os sentimentos
Lento, amor much better when we take it easy Lento, amor, piano, piano...
(e eu já me sinto cambaleando)
*
* encontrei este rascunho de tradução em uma página solta, escrito à mão, dentro de um caderno de 1988, ao lado da letra original de Slow Love, composta por Prince. não é a tradução literal da canção e também não ficou um poema original, mas gostei de perceber a constância das minhas vibrações - nos mesmo tons que ainda hoje vibram... ** a música (outra composição de Prince, regravada por Nadeah, para a coletânea Hollywood Mon Amour) é minha sugestão de trilha sonora para um slow love.
"No fundo todo mundo não passa de um poço profundo de desejos confusos na busca do colo resoluto que nos faça adormecer crianças
antes da morte que é a própria coisa outra vez." Leonardo Marona
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* Jean Reno e Natalie Portman [com 11, acredita? mas já mostrando a que veio - o Oscar chegou este ano, lembra?] em cena de O Profissional (Leon, 1994). Reno sempre rouba minha atenção quando em cena (puta gato talentoso!). Tem sido assim desde Imensidão Azul (1988) também dirigido por Luc Besson. A parceria com Natalie Portman, em O profissional, rendeu talvez a mais improvável e fascinante química entre atores em tela (e, por favor, poupe-me dos comentários pudicos: existem mil abismos de diferença entre pedofilia e romance proibido - que é justamente do que o filme trata, com intensidade impressionante!) ** que fique claro: a intenção da ilustração foi só acrescentar - que não se desvie a atenção à grandiosa frase de Leonardo Marona - esta sim, acachapante!
"Todos nós, em média, dedicamos mais energia à tentativa de silenciar nossos sonhos do que à tentativa de realizá-los. Muitos dizem que desistiram de sonhos dos quais os pais não gostavam por medo de perder o amor deles. O fato é que somos complacentes com as expectativas dos outros (que amamos ou não) à condição que elas nos convidem a desistir de nosso desejo. É isso mesmo, a frase não saiu errada: adoramos nos conformar (ou nos resignar) às expectativas que mais nos afastam de nossos sonhos. Aparentemente, preferimos ser o romancista potencial que foi impedido de mostrar seu talento a ser o romancista que tentou e revelou ao mundo que não tinha talento. Desistindo de nossos sonhos, evitamos fracassar nos projetos que mais nos importam.
Um conselho: se você encontrar alguém disposto a caminhar na chuva do seu lado, não fuja; molhe-se. "
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* trecho de crônica, escrita por Contardo Calligaris, para a Folha de São Paulo, em 7/07/11
"Somos castigados por nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O mais corajoso dentre nós tem medo de si próprio.
Peque o corpo uma vez e estamos livres do pecado. Porque a ação tem um dom purificador. Nada restará então, salvo a lembrança de um prazer; ou a volúpia de um arrependimento.
A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe. Se resistirmos, nossa alma adoecerá de desejo do que proibimos a nós mesmos. O fogo enrijece o que não consome.
Os grandes acontecimentos do mundo acontecem no cérebro. É também no cérebro, e só nele, que ocorrem os grandes pecados do mundo."
Oscar Wilde, in O Retrato de Dorian Gray
*
* porque desatei a ler Mónica Torres: "O corpo é um corpo. Filosoficamente considerado um lugar, uma casa, um invólucro, qualquer bimbalhice dessas que lhe queiram chamar. Estou-me nas tintas, para mim será sempre uma espécie de embrulho mais ou menos bonitinho, mais ou menos massudinho, mais ou menos gostosinho e queira Deus Nosso Senhor sempre muito cheiroso".