[estamos tão somente nos levando de volta para nossas próprias casas -
domingo, 24 de novembro de 2013
A casa [2]
[estamos tão somente nos levando de volta para nossas próprias casas -
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Casa
se algum dia por acaso
eu voltar a rasgar a tua latitude neste planeta
podes abocanhar-me
caçar-me com os incisivos
balançar-me na boca
não aceites as minhas habituais desculpas de nómade
nem acredites quando te disser que tudo o que tenho
cabe dentro de uma mala
começa por enconder-me os sapatos
convence-me a destruir os mapas de viagem
e a engolir âncoras pedras
uma morada com número na porta
mesmo que o meu desassossego geográfico
estremeça a perna direita
debaixo da mesa e agite o metal dos talheres
não hesites
leva-me para tua casa
prova-me que não tenho que apanhar o último comboio da noite
que incendeia a costa e que me ajuda
a fugir todas as madrugadas
recebe-me nas zonas sem roupa do teu corpo
manobra-me a língua
usa-me
e quando a tua carne já não precisar de mim
amarra-me
cuida do meu sono temporário
obriga-me a dizer-te aquilo que os meus dentes
sem coração nunca autorizaram:
esta noite durmo contigo.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
O paraíso bem aqui, ao alcance das mãos
quando meus filhos querem meu chamego sabe o que fazem? deitam-se no sofá, na cama, na rede... deitam e me chamam bem docinho: "manhê, vem me amar?" e fazem umas carinhas sedutoras, fecham os olhos, sorriem, entregam-se, encolhem-se e se preparam, antecipando o prazer. eu vou chegando, de mansinho, amassando, beijando tudinho. "deixa eu ver se estão aqui os dedinhos" - beijo um a um e vou contando. depois vou para o umbiguinho - "deixa eu ver que gosto tem hoje. humm, feijão, bolo, tomatinho... ei, que é isso, bala? quem te deu balinha?" vou tateando com os lábios, conferindo, confirmando, insuflando o pulmão com seus cheirinhos. já prestes a explodir de amor, vem o outro e reclama - "e eu? não ganho uma 'amadinha? 'cê nem me amou hoje, mãe, nadinha.." e assim vou, de um a outro. nem canso... dureza vida de mãe, sabe?
* teclando com uma amiga distante, relatando as pequenezas que preenchem meu dia, vou confirmando que a poesia, como o amor, podem estar ao alcance das mãos...
sábado, 30 de abril de 2011
Eu amo sofá!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Lar...
...não à toa que o coraçãozito aqui anda meio banzo, sem alento, oprimidaço sob tanta tranqueira.
domingo, 6 de março de 2011
Madassa
Madassa não sabia ler nem escrever.
Madassa tinha a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever.
Mas Madassa não sabia ler nem escrever.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para palavras.
Na cabeça de Madassa habitava apenas o medo, escuro e negro, causado pelos barulhos da guerra, e pelos mortos, muitos mortos.
Na cabeça de Madassa vivia uma raiva imensa cheia de porquês.
Como se as perguntas fossem garras dilacerantes.
Na cabeça de Madassa pairava um nevoeiro de tristeza.
Tão espesso que ele não conseguia lembrar-se sequer da cara do irmão ou da irmã, cujo paradeiro ninguém conhecia.
Havia dias em que, na cabeça de Madassa morava a mesma fome que lhe enchia o ventre.
A negrura do medo, as garras da raiva, o nevoeiro da tristeza
– e, em certos dias, a fome – ocupavam toda a cabeça de Madassa.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para as palavras.
A professora já não sabia o que fazer para ajudar Madassa.
Quando tinha tempo, lia-lhe histórias que ele sozinho não conseguia ler.
Lia-lhe a história do Pequeno Polegar, que tivera tanto medo na floresta.
E o medo do Polegarzinho passeava pela cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história de Martinho, que estava sempre irritado.
E a irritação do rapaz era igual à que existia na cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história da Menina dos Fósforos.
E a tristeza da Menina chorava na cabeça de Madassa.
A professora contava-lhe também a história de Pedro e a Lua, do menino que queria fazer florir a terra inteira com plumas de pássaro.
E as plumas dançavam na cabeça de Madassa.
E, entretanto, o que acontecia na cabeça de Madassa?
O medo do Polegarzinho deixava palavras para exprimir o medo.
A raiva de Martinho deixava palavras para exprimir a raiva.
A tristeza da Menina dos Fósforos deixava palavras para exprimir a tristeza.
A dança das palavras de Pedro e a Lua deixava palavras que davam vontade de dançar.
Certa manhã, as palavras, fortemente agitadas, não quiseram ficar na cabeça de Madassa.
Então, o menino pegou num caderno, numa caneta, e,
embora desajeitadamente, como uma criança que aprende a andar, escreveu:
Madassa medo
Madassa raiva
Madassa tristeza
Madassa no capim
Madassa ao vento
Madassa na água
Madassa cinzento preto azul
Madassa vermelho amarelo preto
Madassa cinzento amarelo verde
Madassa galo tigre
Madassa sol
─ Um poema! exclamou a professora.
─ Escreveste um poema!
Então escrever é isto!
Pegar nas palavras das histórias e transformá-las nas palavras de Madassa.
Mas é preciso ler muitas histórias para ter muitas palavras.
Madassa começou a ler.
E a escrever também.
Quanto mais lia, mais escrevia.
Quanto mais escrevia, mais vontade tinha de ler.
Era um círculo mágico.
Madassa que não sabia ler nem escrever,
enchia agora cadernos e mais cadernos.
Talvez um dia escrevesse um livro.
Madassa escritor.
* para meu filho T., pois mesmo com a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever, ainda não sabe ler nem escrever. Quero acreditar que ainda não há lugar para palavras em sua cabeça. E sigo esperando que um dia, as palavras não queiram ficar mais na cabeça de T. e tomem vida no lugar que é delas. Afinal, nesta casa, há sempre tempo para as histórias...
sábado, 22 de janeiro de 2011
Saudades do mar
A filosofia é no fundo saudade – instinto de estar por toda a parte em casa.
*
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Xô!
- as noites fossem sempre frescas;
- os insetos e pragas não proliferassem feito.. praga!
Depois dos cupins do início de dezembro, das baratas voadoras após as tempestades de verão, dos carunchos nos pacotes de cereais (tantos este ano, na sua casa também?), das formigas domésticas mas selvagens e dos fungos, viroses e bactérias alimentares ... só me falta aparecerem as moscas!
sábado, 11 de dezembro de 2010
O melhor da semana!

- Tem coisa melhor na vida do que tomar café relaxadamente, sem pressa e sem antevisão de compromissos?
- Amooooooo!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Conto de fadas, versão 2.0

Ontem a Fada da Cueca estava conversando com a Fada Passadeira, que pra falar a verdade, pouco trabalha, e acabou ficando revoltada com seu excesso de trabalho e com a cara de pau da Fada Passadeira que leva a vida na flauta. Resolveu chamar a Fada da Comida, a Fada que Tira Pó e a Fada que Passa Pano no Chão para conversar. Nesse meio tempo a revoltadíssima Fada que Lava a Louça entrou na conversa e chamou sua amiga, não menos revoltada, Fada Limpadora de Banheiros, e resolveram surtar, dar piti, deserdar.
Elas todas se uniram à Fada do Cartão de Crédito e hoje passeiam felizes pelo shopping enquanto o meu marido tenta entender o que acontece..."
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
LAR
lar lar lar... laralaralaralá...
Para mim, a palavra com mais significância da língua portuguesa.
De carona na tarefa (mais uma!) do meu menor, fiz uma pesquisa sobre o termo. Olha quanta coisa linda já foi escrita sobre o tema:
- "O lar é onde o coração do homem cria raízes." (Henrik Ibsen)
- "Nenhum lugar é mais agradável do que o nosso lar." (Cícero)
- "Lar não é onde você mora, mas onde as pessoas entendem você." (Christian Morgenstern)
- "Sua casa pode parecer um castelo, por dentro será sempre seu berçário." (Clare Boothe Luce)
- "O lar é uma escola, em que somos aprendizes e professores uns dos outros" (Chico Xavier)
- "Lar é onde habita o coração" (Plínio, o moço)
- "No lar, a união; no mundo, a paz." (Tito Lívio)
- "Lar é a definição de Deus." (Emily Dickinson)
- "Lar é onde o coração está." (Bono Vox)
- E para finalizar, uma frase que ouvi da boca de meu pai, Luiz de Aquino (não sei se é ele o autor): "É muito bom viajar. Mas o melhor é voltar para casa".
* Tudo porque, confesso, não sou boa mãe. Para ser franca, quando estou otimista considero-me "pouco habilidosa". Mas me esforço, sabe. E como! A maternidade é sacrificio, sim, porra! (Sem essa de padecer no paraíso - que os sentimentos não vêm enquadrados em clichê.) Então, após assimilar esta questão - a do sacrifício e de que transformar-me em boa mãe não é para esta vida, meu foco está em criar um LAR para meus filhos. Se estou conseguindo? Daqui há 30 anos, pergunte aos meus filhos...rsrsrs. As imagens (todas retiradas do vi.sualize.us) representam o lar ideal dos meninos: casa na árvore, paredes de madeira, livros, muitas escadas, diversão e um sótão.
sábado, 20 de junho de 2009
O lugar mais importante do mundo
Já um lar é criado com materiais mais impalpáveis...
- não importa se grande ou pequena, simples ou elaborada, econômica ou luxuosa. Casas devem ser o lugar no mundo onde seja possível encontrar a paz...
- there's no place in the world like home!













