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quarta-feira, 6 de março de 2013

Feminina [5]

"Eu não quero ser o líder. Eu me recuso a ser o líder. Eu quero viver obscuramente e ricamente em minha feminilidade.

Eu quero um homem deitado em cima de mim, sempre em cima de mim. Sua vontade, seu prazer, seu desejo, sua vida, seu trabalho, sua sexualidade a pedra de toque, o comando, meu pivô.

Eu não me importo de trabalhar, segurando a minha terra intelectualmente, artisticamente, mas como uma mulher, oh, Deus, como uma mulher eu quero ser dominada."
 
Anaïs Nin
*




* desculpe se crio polêmica, mas não compactuo com as celebrações do oito de março. mulheres não são seres emocionalmente superiores. homens não são os reis da insensibilidade. mulheres são tão humanas quanto os machos da espécie. perfeitinha do Lalau? Lalau já se foi: babau! temos muitos defeitos, nós mulheres. aliás, temos tantos defeitos que sofremos a vida toda para termos os mesmos direitos que os homens. mas não esqueço que antes de nascer, antes mesmo de receber meu nome, sou mulher. é com o feminino que me identifico. e aí reside toda minha força e beleza. ** na imagem, Maria Maddalena em Êxtase, de Michelangelo Caravaggio [1606].

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Só o humor salva [3]



"As câmeras de Capa provocaram enorme rebuliço. As mulheres o chamavam aos gritos enquanto ajeitavam seus lenços e suas blusas, tal como as mulheres fazem em qualquer parte do mundo quando vão ser fotografadas.

Havia um mulher em especial, de rosto cativante e riso contagioso, que foi escolhida por Capa para um retrato. Ela era a mulher mais espirituosa do vilarejo.

- Não apenas sou uma trabalhadora de mão cheia, como já enviuvei duas vezes e agora, os homens morrem de medo de mim - E ela brandiu um pepino  diante das lentes de Capa.

- E você toparia casar-se comigo? retrucou Capa.

Ela jogou a cabeça para trás e deu uma sonora gargalhada.

- Olhe aqui, disse ela, se Deus tivesse consultado o pepino antes de fazer o homem, não haveria tantas mulheres infelizes no mundo."





*










* durante quarenta dias, entre agosto e setembro de 1947, John Steinbeck e Robert Capa viajaram pela Rússia (mais precisamente, Kiev, Stalingrado e os balneários da Georgia, além da capital Moscou). Steinbeck já era um escritor respeitado, vencedor de um prêmio Pulitzer (ele viria a ganhar o Nobel em 1962). Capa, um jornalista fotogáfico mais do que experimentado em reportagens deste tipo. Ambos simpatizantes do socialismo, como eram boa parte dos intelectuais no pós-guerra. Steinbeck e Capa registraram o dia a dia da população, conversaram com pessoas de todos os tipos, especialmente as simples, das ruas aos campos. Capa fez cerca de 4000 fotografias. O livro inclui uma centena delas. Fotos de paz e não de guerra. Fotos que contam uma história paralela ao texto de Steinbeck - que, por sua vez, é delicioso, bem humorado e sempre vivo, como se ainda estivessem lá e todos estes anos não já fossem passado. ** as fotos, extraídas do livro, são da mulher citada por Steinbeck. (sem o pepino, vai saber). *** amados leitores do sexo masculino, saibam que não considero o pepino a solução. aliás, a guerra dos sexos, que tanta saliva, tinta e sangue já desperdiçou pelas eras afora, existe tão somente pelo fato de as tampas dos vidros de pepino serem hermeticamente fechadas e portanto, demasiado apertadas. se as tampas abrissem sem esforço, as vagas de estacionamento fossem amplas, as gramas se autocortassem, as cuecas se autolavassem e as toalhas se autopendurassem viveríamos felizes para sempre. ou ou ou estou enganada? 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sede de intimidade



"Olhe em volta: estamos cercados pela palavra amor.

Há um milhão de livros com esse título, dez milhões de músicas com esse refrão, centenas de filmes e um batalhão diário de novelas que trata do assunto. Pela quantidade de produtos amorosos que nos oferecem, é inevitável concluir que consumimos mais amor do que cerveja, chocolate e televisores de tela plana.

Nosso apetite por amor não tem limites. Nossa sede de amor jamais acaba. Somos carentes insaciáveis. Sonhamos com o amor todas as noites. Acordamos encharcados de imagens doloridas. Dentro de nós se agita um mar de memórias que tem como centro as nossas experiências de afeto. Velhas, remotíssimas, e recentes. Elas nos movem de forma inconsciente. Somos filhos, somos irmãos, somos amigos, somos amantes, somos pais e mães. Todos nós. A cola que liga todas essas situações é o amor.

Um alienígena que chegasse à Terra iria perceber, em dois minutos, nossa abissal vulnerabilidade. Além de água, alimento, abrigo, precisamos desesperadamente de amor - em várias formas, em qualquer forma na verdade. Somos viciados nele. Erguemos nossa vida em torno dele. Do erotismo violento da adolescência aos sentimentos suaves da velhice, nossa existência é uma longa experiência amorosa – ou uma busca desesperada, e muitas vezes cega, muitas vezes infrutífera, pelo amor.

O paradoxo do amor público, industrial, feliz, multiplicado nas redes sociais e nas salas de Multiplex, é que as nossas experiências realmente importantes são incomunicáveis e intransferíveis. Apesar do estardalhaço social, estamos sozinhos frente ao amor. Cabe a cada um de nós encontrá-lo, vivê-lo ou perdê-lo intimamente.

Não é o cinema acompanhado, as noites de sábado com programa garantido, o sexo quando der vontade. Não é ter alguém pra chamar de seu, não são as mensagens de bom dia, muito menos alguém pra quem comprar presente no Dia dos Namorados. Suspeito que o que as pessoas tanto busquem quando dizem que estão procurando um amor é a tão querida intimidade. Aquela coisa de querer dividir vontades, revelar segredos, contar coisas que você não contaria pra qualquer um. Intimidade é abrir a porta para o seu íntimo e deixar que o outro mergulhe nessas águas profundas e, muitas vezes, turvas." 


Ivan Martins

*





*é um comercial da Coca-Cola, sim. [nem sei porque me justifico, sempre é um bom material, apesar de]: é que o cenário é uma biblioteca! e o que pode ser mais íntimo do que ler? (sexo, às vezes...). tem uma pegada tão sensual que simplesmente não podia ficar de fora deste meu cafofo. ** a trilha sonora, também não passa despercebida: Strange Love, Koop. *** no texto, trecho de Os traficantes de amor, escrito pelo colunista Ivan Martins para a revista Época.

terça-feira, 20 de março de 2012

Ler é sexy [2]



"Você pode possuir um livro sem realmente possuí-lo. Além do sentido comercial ou legal do vocábulo, não há propriedade emocional ou metafísica. Assim, quando um livro nos fala de maneira tão particular e poderosa sentimos que é nosso - exclusivamente! - que existe apenas por nossa existência. Certas pessoas surtem em nós este mesmo efeito. Olham diretamente em nossos olhos e nos falam intimamente, com uma voz entre sussurrada e abafada, que nos faz sentir singularmente importantes, mesmo que todos ao redor percebam igualmente a sedução. Chamamos a isso de flerte. Os melhores livros são flertes, também, uma vez que eles parecem ser só nossos, quando na realidade não são de ninguém" (Blake Morrison, Doze Pensamentos sobre Leitura).




"Livros podem ser sexies? perguntou o New York Times de uma maneira que só poderia ofender ou alarmar quem cuja vida depende das palavras. Um livro, para alguns de nós, não é apenas uma página - virada -  mas um tesão! Os verdadeiramente "possuídos" por livros (e a pergunta do jornal veio justamente com o lançamento do filme "Possessão") não levam pra casa um livro sem antes cheirá-lo, sopesando-o na mão, sentindo sua tensão, a musculatura bem tonificada da lombada e verificando se a capa (front-end) e a contracapa (back-end) são "gratificantes". Eu gosto de agarrar um livro, adivinhando o prazer que vou sentir ao lê-lo. Gosto de ventilar o volume, tomando-o da prateleira de surpresa, folheando suas páginas e curvando minha coluna para trás a um ponto onde sua constituição suave e resistente, colada ao meu corpo libere da garganta um suspiro suave, profundo e quase imperceptível - o primeiro que me espera..." David Thomsom.





*

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A mulher irreverente



  • queria falar sobre o último domingo
  • ri à beça. contei muita piada. ria enquanto contava
  • tudo em família (tudo muito familiar, garanto)
  • mas, por algum motivo desconhecido, foram todos ficando constrangidos
  • e silenciando
  • até minha risada parecer
  • dissonante...
  • não sei bem o que houve:
  • se foram as risadas
  • ou o fato de me divertir em contar piadas
  • alguma coisa couve...
...
  • então, o que quero mesmo é falar sobre o que pensei no último domingo
  • por que é tão reduzido o número de mulheres com piada?
  • e a fazer humor?
  • não é suposto que uma mulher ria?
  • 'magina, dizem à boca pequena, sorriso, pode, mas mas...
  • mulheres devem ser sérias!
  • e até se aceita, com muita naturalidade, as chatinhas
  • e as loucas. sempre.
  • mas piadistas? isso não!
  • às mulheres, pede-se que tenham coxas, peito, cintura, bunda...
  • que silenciem quando se sentem injustiçadas
  • e que sejam suficientemente inteligentes para rirem das piadas,
  • deles!
  • um homem sarcástico é o delírio.
  • uma mulher sarcástica é ressabiada.
  • uma mulher não pode fazer caretas, sob pena de perder a pose
  • (e o sex appeal, que injustiça!)
  • o mundo vê com desconfiança as mulheres que se divertem
  • e que são capazes de sentir prazer.


  • pois eu vos digo: Gosto de mulheres que riem!
  • poderia mesmo me casar com uma centena delas
  • e trabalharia feliz, de sol a sol, para sustentar meu harém
  • mais: gosto de mulheres que falam palavrões.
  • que falam foda, pau, merda, puta
  • [imagino, contente, que tenham vidas sexuais menos contidas]
  • A verdade é que a piada é libertária;
  • faz o raciocínio correr por vias tortas pra chegar ao entendimento;
  • exercita a inteligência;
  • e nos faz vibrar com sua utopia anarquista
  • porque é tão alegre a liberdade de partir de ideias absurdas,
  • [como a do judeu que procura o padre pra se confessar]
  • imaginar tudo isso e rir muito no final,
  • mesmo quando não acaba bem.
  • E chega de papo! O bom humor é sempre excitante
  • sobretudo, naqueles que o sabem usar.



*




* tudo porque acredito - e não canso de repetir: só o humor salva! Se Deus, o maior piadista do universo, quer te mostrar isso, aprende! 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Perdoa-me por me trair


  • Soube do chinês que parafusou uma antena de TV na testa da mulher?
  • ....
  • não?
  • ok, vou tentar de novo:
  • leu sobre o milionário chinês que traiu a mulher, fugiu com a outra e se despediu com uma mensagem na web?
  • "vou desistir de tudo e fugir com a Wang Qin. Tenho vergonha e por isso vou-me embora sem dizer adeus. Ajoelho-me e imploro que me perdoem",
  • escreveu Wang Gongquan, investidor chinês multimilionário no Sina Weibo, site de microblogging semelhante ao twitter.
  • a mensagem, de 16 de maio, foi republicada por 60 mil pessoas em 24 horas
  • e causou um escândalo no país de proporções tão grandes que virou notícia no mundo
  • (pense que na China as discussões abertas sobre questões íntimas ainda são tabu)
...
  • mas o melhor desse novela mexicana made in china são os últimos capítulos
  • após a revelação inicial, o chinês em fuga com a amante publicou mais mensagens
  • e um vídeo, onde está de pé, em frente a um rio, cantando
  • [o que novamente transformou-se em viral na web, com mais de 350 mil visualizações em um só dia]
  • a canção,"Ode to Elopemente" (Ode à Fuga), é uma composição dramática, embora romântica, escrita de seu próprio punho
  • cantada por Gongquan em chinês, com aquele tipo de voz de bambu mossô encharcado de pântano, sabe como?
  • some a isso braços estendidos ao ar e uma expressão dolorida - o vídeo ficou deliciosamente patético!
  • saca só um trecho da sua cantoria sobre paixão e desgosto:
"Sempre voltado para os sussurros do vento com um coração ansioso por amor. O que mais detesto é trabalhar para realizações profanas. Quem já viu montanhas de ouro e prata durarem até dez mil gerações? Ao longo dos séculos, a única coisa preciosa é este sentimento".

...
  • quer saber? gostei do chinês. 
  • [e sinto-me como Lars von Triers, quando em Cannes disse simpatizar com Hitler - que mulher de posse de seus nervos simpatiza com o traidor?]
  • é que achei o cara fofo demais em afirmar seu amor. Comovente. Ganhou meu coração. 
  • fosse eu Wang Qin, perdoaria meu Gongquan
  • pegaria minha parte em dinheiro e sem derramar sequer uma lágrima de adeus
  • sairia o mundo à procura de um especialista, um profissional
  • que soubesse tratar com capricho meus adereços de cabeça   
  • [e que, de preferência, cantasse diretamente no meu ouvidinho uns troços bem bonitinhos e sacanas]
  • vai, Wang Qin, corre!


*



* brincando, brincando (que só o humor salva!) vou destripando o peixe podre que é esse negócio de infidelidade. Porque, mermão, de traição e de pegar chuva, ninguém tá salvo. Uma pesquisa inglesa chegou à conclusão que 60% da população mundial já traiu. Isso nos coloca na seguinte situation: se você só teve um parceiro na vida, tem 60% de chance de ser corno (título vitalício). Se teve (ou tem) mais de um, tranquilize-se, você certamente é corno. Digo pra relaxar, porque tudo isso é só uma questão de sintaxe, ou seja, um caso menor em toda a vasta literatura. O importante, o único fator que deve-se levar em conta é que o coração não trai ninguém. Especialmente a si mesmo. ** este post foi parcialmente psicografado por Nelson Rogrigues.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Tanta maravilha...


maravilharia durar

aqui neste lugar

onde nada dura

onde nada pára

para ser ventura


Paulo Leminski, in Caprichos & Relaxos, 1983



*




* na foto [que não é montagem], o lago Luguhu, onde vive o povo Mosuo, também conhecido como "o reino das mulheres na China". Em um país notadamente machista, entre os mosuo são as mulheres que tomam todas as decisões, inclusive na hora do amor. Se elas não gostam de um homem, dizem "não". Cantando (isso: dizem não cantando!). Mas se elas gostam do parceiro, simplesmente deixam a porta aberta para o homem entrar. As mulheres mosuo podem viver sozinhas a partir dos 13 anos. Aos 17, lhes é permitido abrir a porta de casa para o homem que quiserem. A vida sexual das mosuo é muito ativa, trocam de parceiro com frequência e são elas que decidem com quem querem passar a noite; mas na hora da sedução deixam os homens acreditarem que são eles que escolhem e fazem a conquista. Não existe monogamia entre os mosuo. Mas existe fidelidade: quando uma mulher se apaixona, só permite que seu homem visite sua cabana (explico: à entrada de cada cabana há um gancho; quando um homem visita uma mulher, pendura o chapéu à frente da cabana, sinalizando que naquela noite está acompanhada). O conceito de paternidade e o termo "pai" não existem no dialeto mosuo, mas muitas crianças conhecem o seu progenitor e visitam-no ocasionalmente. No dialeto deles também são desconhecidas as palavras [e o conceito de] "guerra", "homicídio", "violação" ou "prisão". São as mulheres que administram todo o dinheiro da família. Cuidam de tudo, do trabalho pesado à arrumação da mesa farta [que nem precisa ser mosuo para uma mulher intuir da importância da beleza e da boa comida no dia a dia]. E as mulheres mosuo são lindas! Pra quem não acredita em paraíso na terra, o lago Luguhu e os mosuo podem forçar a revisão de alguns conceitos... Eu, por exemplo, chego a conclusão de que os homens deveriam voltar a usar chapéus...

sábado, 2 de julho de 2011

Feminina (3)



Para poder morrer
Guardo insultos e agulhas
Entre as sedas do luto.
Para poder morrer
Desarmo as armadilhas
Me estendo entre as paredes
Derruídas.
Para poder morrer
Visto as cambraias
E apascento os olhos
Para novas vidas.
Para poder morrer apetecida
Me cubro de promessas
Da memória.
Porque assim é preciso
Para que tu vivas.



Hilda Hilst, Para poder morrer, 1967


*



* Hilda, para sempre "a obscena senhora", que ousou desnudar a alma revelando o sexo. O sexo que é do corpo, assim como o corpo é da morte.

domingo, 29 de maio de 2011

Afinal, o que querem as mulheres?

"As mulheres querem ser verdadeiras. Tanta coisa nos empurra para o estereótipo. Não funciona assim... Somos muito mais em nossas fragilidades do que nas virtudes. E os encontros nunca se dão entre duas perfeições." Patrícia Pillar, atriz, 48, para a revista Lola, maio/2011.

#chupafreud!


*


* e alguém aí sabe responder o que querem os homens? Rá, essa encruzilhada dá nó em pingo d'água, mermão! claro que eu não tenho a resposta (e, de verdade, não me interessa, desde que me desejem um tantinho assim ÓÓÓ), mas tenho aqui uma boa pista: o querer, ou seja, o desejo - quer masculino ou feminino, é movimento. Sacou?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

UM DIA


Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável... Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples... Um dia percebemos que o comum não nos atrai... Um dia saberemos que ser sempre o bonzinho não é bom... Um dia perceberemos que a pessoa que te desdenha é a que mais pensa em você... Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." Um dia percebemos que somos muito importantes para alguém mas não damos valor a isso... Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você... Enfim, um dia descobrimos que apesar de viver quase 100 anos, esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem de ser dito... Então, ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras... Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Mário Quintana






* tenho dúvidas que esse texto tenha sido mesmo escrito pelo Mário, mas... enfim, quem não compreender este detalhe em falso tampouco merece compreender o todo imperfeito.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Da paixão cega à cegueira voluntária



"Todo ser humano necessita despertar desejo. Quando as pessoas nos olham e não nos diferenciam de uma cadeira, a coisa vai mal. Isso acontece muito nos casamentos. Os dois seguem se amando, mas já estão há tanto tempo juntos que não faz mais diferença se a mulher embarangou ou se o marido perdeu os dois dentes da frente: "amo você de qualquer jeito, bem". Ama, sem dúvida. Mas não enxerga mais. É aí que mora o perigo. Homens e mulheres precisam de um espelho que lhes diga constantemente o quanto são interessantes e atraentes. Se o espelho rachou em casa e não reflete mais nada, das duas uma: ou a gente se entrega ao desleixo, ou vai buscar reflexos de si mesmo em outro alguém..."


Martha Medeiros



 

* na ilustração, Eros e Psiquê, o casal que personifica o desejo e os ritos de passagem necessários até alcançarmos a maturidade do amor...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Sobre Fidelidade, Privacidade e Autoestima


A belíssima atriz italiana, Monica Bellucci, deu a receita de seu casamento feliz e duradouro com o ator francês, Vincent Cassel:
"Deixo-o solto. Não sei fazer a esposa grudenta e ciumenta. Procuro não alimentar expectativas nem ilusões. Para mim existem valores mais importantes a se cultivar no casamento do que a fidelidade, como respeito e companheirismo. Acho simplesmente ridículo perguntar para o Vincent o que ele fez enquanto esteve fora."
...
  • assuntinho controverso, não?
  • mas acho interessante a reflexão...
  • afinal, quem dita as regras do seu relacionamento?
  • ora, cada um é feliz a sua maneira
  • e respeito à privacidade do/a companheiro/a é o caminho mais fácil - e lindo - para a felicidade a dois.
  • Nesta declaração, Monica não só mostra incrível força interior e confiança, como revela o que pode ser o grande segredo de sua beleza estoante
  • imagina só de quantas rugas ela já poupou sua linda face simplesmente por não alimentar a atitude suicida de tentar controlar a fidelidade masculina!
  • como diria minha amiga Ivi, autoestima é tudo na vida...

É muita autoestima, não é meu povo?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O amor é mais bonito que a vida

"Há coisas que não são para se perceberem. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que  ninguém mais se apaixona de verdade. Que ninguém mais quer viver um amor impossível. Que ninguém aceita amar sem uma razão. O amor tornou-se uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é "na medida do possível".  O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão covardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia. Uma raça de "telefoneiros" e "emailzeiros", malta do "tá bem? tudo bem", de tomadores de cerveja, bananóides, borra-botas, romanticidas. Ninguém mais se apaixona? Ninguém disposto a aceitar a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor - a doença que é como um câncer a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "cobertorzinho de orelhas". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casaizinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Não resitiu à concorrência  do pessoal da pantufa e da serenidade. 
Amor é amor! É essa beleza. É esse perigo. O amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.  Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. 
E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também. 
 
*
  





* porque hoje, 14 de fevereiro, é o Dia Internacional do Amor. e também Dia de São Valentino - padroeiro dos namorados e amantes. porque eu acredito que todos os dias (e todas os instantes) são pra se falar do amor. e cometê-lo. passionalmente! **crônica Só um Mundo de Amor pode Durar a Vida Inteira, escrita pelo jornalista e escritor português Miguel Esteves Cardoso . Grandioso!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sobre os silêncios tristes e as perguntas sem respostas



"Há palavras que metem medo, como a palavra amante. O que sou eu para ti? – pergunta, morta de medo que lhe responda: uma amante. E eu próprio fico com a palavra atolada na mente, com medo de responder: uma amante!

E ali ficamos, dois amantes abraçados com medo de uma palavra. Como se a palavra amante não tivesse o brilho das grandes palavras que derivam do verbo amar.

O que sou para ti? – volta a perguntar. Sabes bem o que és para mim, não sabes? - respondo eu, furtivo, com outra pergunta. Se soubesse, é claro que ela não tinha perguntado. Por isso cala-se.

Os silêncios tristes fecham janelas dentro das mulheres. Até que se perdem dentro da sua escuridão como numa câmara escura em que se revelam.
Perdemos uma mulher quando ela sai de dentro de si por uma porta diferente da que entrou.

As paixões morrem porque as mulheres fazem mil perguntas e nós, agitados, quase nunca sabemos as respostas certas. Não está na condição da sensibilidade feminina viver sem perguntar. E os homens, que não foram geneticamente preparados para aguentar a pressão metódica das perguntas, abrem feridas com as respostas."




*






 
* outro excerto de Diário dos Infiéis, do escritor português, João Morgado (ainda sem edição brasileira). Mal posso esperar para começar a lê-lo... 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mini conto mega romântico

Ela acordou com a cama repleta de flores. Entre elas, disfarçada, uma em plástico.

Na cabeceira, viu o bilhete: "Eu te amarei até a última flor morrer".

...



* aaaah, suspirem meninas... suspirem!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Perfume de gente

"As pessoas são um cheiro. É pelo cheiro que as catalogamos no íntimo arquivo dos desejos. A que cheira um amante? Uma rosa cheira a rosa. Um cravo cheira a cravo. Não sei a que cheira uma orquídea. Mas sei que todas as orquídeas cheiram igual. Já os amantes, ah!, nenhum repete o cheiro. Os que nos refrescam têm cheiro de rio, os que nos enchem têm cheiro de mar.

Todas os apaixonados têm um cheiro úmido. Como a boca. Como o sexo. 
Só gostamos de uma pessoa quando gostamos do seu cheiro. Quando tudo nos leva a bebe-la, como um chá quente, excitante, aromático. Se não gostarmos do seu cheiro não conseguimos ama-la, nem na pele nem na alma. Podemos ser amigos, companheiros, nunca amantes. Amar é beber um cheiro.  É transporta-lo para dentro de nós. E nós só amamos verdadeiramente uma pessoa quando cheiramos seu cheiro..."





*







* do escritor português João Morgado, no livro Diário dos Infiéis.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

E tem essa, que acabei de lembrar

Um grande navio naufragou próximo à uma ilha deserta - óbvio que não foi no mar, mas no meio do completo nada! Alguns passageiros e tripulantes conseguiram alcançar a ilha:

Dois italianos e uma italiana;
Dois franceses e uma francesa;
Dois alemães e uma alemã;
Dois gregos e uma mulher grega;
Dois ingleses e uma inglesa;
Dois japoneses e uma japonesa;
Dois chineses e uma chinesinha;
Dois irlandeses e uma irlandesa;
Dois brasileiros e eu (representando a mulher brasileira, pode ser?).

Um mês depois, nesta ilha absoluta e impressionantemente deserta no meio do nada, ocorreram os seguintes fatos:

Um dos italianos matou o outro italiano para ficar com a italiana.
Os dois franceses e a francesa estão vivendo juntos e felizes em um perfeito menage à trois.
Os dois alemães desenvolveram um meticuloso programa semanal de visitas à mulher alemã, repleto de regras e condições, rigidamente cumprido pelos três.
Os dois gregos passaram a dormir juntos enquanto a mulher grega está cozinhando e limpando para eles.
Os dois ingleses estão esperando que alguém os apresente à inglesa.
Os dois japoneses conseguiram enviar uma mensagem para Tóquio e estão aguardando instruções.
Os dois chineses abriram uma loja de bebidas, um restaurante e uma lavanderia e engravidaram a chinesinha para conseguir empregados de confiança e assim ampliarem os negócios.
Os dois irlandeses dividiram a ilha em norte e sul e montaram uma destilaria. Eles não se lembram da mulher irlandesa porque tudo fica confuso depois de alguns litros de whisky de coco, mas estão muito felizes, porque vêem que os ingleses não estão tendo nenhuma diversão.

Os dois brasileiros estão construindo um barco para fugir da ilha porque eu simplesmente não fecho a matraca, reclamando sem parar da situação; que os dois não se mexem; da verdadeira natureza do feminismo; de que todo este sol está acabando com a minha pele; porque afinal eu tenho mesmo que fazer tudo nesta ilha; da minha realização profissional e pessoal; da divisão igualitária das tarefas domésticas; de como estes trapos resultantes do naufrágio me fazem parecer gorda e realçam minhas celulites; do quanto minha opinião é seguidamente desrespeitada; de que sempre foi assim, desde meu primeiro namorado; de como um cabeleireiro à esta altura faria milagres à minha autoestima; de como o relacionamento conturbado com minha mãe é a fonte de todos os meus problemas; porque eles não param de discutir futebol e terminam logo este maldito bote; porque tudo o que eu mais quero é um homem que finalmente me entenda e me resgate desta ilha esquecida por Deus no meio de uma droga de lugar nenhum para que eu não perca meu compromisso semanal com minha manicure favorita, dê uma espairadinha no shopping e assista a novelinha, que tá louca de boa e não dá para perder!

  • Originalmente, a piada diz que a nacionalidade da brasileira é americana, assim como os dois infelizes acompanhantes.
  • Para adequar a piada ao post, fiz poucas alterações.
  • E me contive para não revelar que os dois brasileiros que naufragaram comigo são, na verdade, meu pai e meu marido!
  • Mas o real motivo ao contar esta piada é para que nos unamos em total solidariedade às mulheres gregas...

* mais um que vai pra ti, Fábio T.!